SP2B 2026 · Tecnologia e Inovação Digital · 12 ago
Uma conversa em voz alta sobre como a IA já está mudando a forma de empreender, criar e viver. Sem manual e sem passo a passo. Só as perguntas que importam.
Antes de começar
Agenda
Duas partes. Sem tutorial, sem lista de ferramentas para anotar e sem promessa de que a IA resolve a sua vida.
Duas perguntas atravessam tudo o que eu vou falar: onde a IA amplia quem você é, e onde ela ainda não substitui o seu julgamento.
A parte boa vem das experiências de quem está nesta sala. A gente troca visões, testa ideias e sai com perguntas novas, não com respostas prontas.
Se algo que eu disser bater com o que você viveu, ou contradisser, me interrompa. É esse o ponto.
Bloco 1
Tirando o hype, uma coisa mudou de patamar nos últimos dois anos. E ela muda o que você pode pedir.
A virada
Durante anos a relação era simples: você perguntava, ela devolvia um texto. Você continuava fazendo todo o trabalho, só com um rascunho melhor na mão.
O que mudou é que ela passou a executar tarefas de vários passos sozinha. Ler o material, cruzar com o resto, organizar, produzir e voltar com a coisa pronta para você julgar.
"Me dá ideias de texto para um e-mail de cobrança."
"Olha os 40 clientes em atraso, entende o histórico de cada um e escreve o e-mail que faz sentido para cada caso."
Uma palavra que você vai ouvir muito
Todo mundo repete essa palavra e quase ninguém explica. Não é um robô, e não é um programa novo que você precisa instalar. É a mesma IA que você já usa, com quatro coisas em volta dela.
LLM + loop + ferramentas + contexto + memória
A diferença prática é essa: você não acompanha passo a passo. Descreve o objetivo e confere o resultado.
Na prática
Não é sobre digitar mais rápido. É sobre três coisas que antes tinham preço proibitivo.
Aquela ideia que morria porque testá-la custava duas semanas de alguém. Hoje ela cabe numa tarde.
Organizar, resumir, comparar, transcrever, formatar, conferir. Isso consumia metade do seu dia e não diferenciava você em nada.
Um olhar jurídico antes de assinar. Uma leitura de dados que você não sabe fazer. Não substitui o especialista, mas te faz chegar nele com a pergunta certa.
E por isso agora é a era dos builders
A provocação
Não é idade, não é ser da área de tecnologia e não é o quanto a pessoa estudou sobre IA. Eu já vi gente de 60 anos voar e gente de 25 empacar.
É uma diferença de postura, não de técnica. E é dela que vem quase tudo o que eu vou falar daqui para a frente.
Uma pergunta em aberto
Se o jogo é convidar a IA para dentro do problema, então o ativo mais valioso passa a ser conhecer o problema. E isso muda quem está em vantagem.
Vinte anos de negócio viram contexto. Você sabe onde a margem aperta, por que aquele cliente comprou, o que já foi tentado e deu errado. A IA não tem nada disso, e é exatamente o que ela precisa receber para ser útil.
Testa três IAs na mesma tarde, aprende uma ferramenta nova num fim de semana e não tem medo de errar. Não se apega a nada, então acompanha um mercado que muda a cada poucos meses.
Eu não tenho a resposta. Mas é a pergunta que eu levaria para dentro da minha empresa esta semana.
Bloco 2
A pergunta "qual é a melhor IA?" é a pergunta errada. E ela custa caro para quem faz.
O mapa
Elas não são intercambiáveis. Usar a errada para a sua tarefa é o motivo mais comum de alguém achar que "IA não funciona". Quem são os laboratórios que disputam isso hoje:
Popularizou tudo isso em 2022. Hoje é o mais versátil e o maior ecossistema. Boa porta de entrada.
Nasceu com foco em segurança. Texto longo, raciocínio cuidadoso e tarefas encadeadas. É a que eu uso para pensar junto.
Demorou a reagir, veio com o Bard e virou o Gemini. Forte em volume de informação, vídeo e no mundo Google.
Sucedeu a linha Llama e virou fechada, uma reviravolta para quem apostava no open source da Meta. Tem um modo que dispara vários subagentes em paralelo no mesmo problema.
Do Elon Musk, integrado ao X. Forte no que está sendo dito agora, em tempo real.
Da China. Mostrou que modelo de ponta pode ser treinado por uma fração do custo, e derrubou a premissa de que só gigante compete.
Lançado em julho de 2026, também na China. É o maior modelo aberto do mundo, com 2,8 trilhões de parâmetros e desempenho de fronteira, e qualquer um pode baixar os pesos.
E isso muda a cada poucos meses. Só nesta semana a Meta liberou os pesos de um modelo que roda numa placa de vídeo comum. Quem casa com uma ferramenta perde. Quem entende para que serve cada uma, ganha.
O erro que eu mais vejo
Todo mundo procura a fórmula secreta, aquele prompt que alguém postou e que resolveria tudo. Só que prompt é a forma. Contexto é a matéria-prima, e é nele que quase ninguém investe tempo. O pulo do gato está aí.
Você já decidiu sozinho que a resposta é um post. A IA só executa a sua decisão, e a sua decisão pode estar errada.
Aqui ela pode voltar dizendo que o caminho não é post nenhum, e sim uma ação com a sua base antiga. Foi o contexto que abriu essa porta.
Bloco 3 · o coração desta conversa
É sobre contexto. Levar o problema inteiro, com o que está em jogo, e convidar a IA para dentro dele.
A novidade que muda a rotina
Isso é recente, e muda o custo de usar IA no dia a dia. Você não precisa mais se reapresentar toda vez que abre uma conversa nova.
Guarda fatos sobre você e sintetiza o que aprendeu ao longo das conversas. Desde meados de 2026 também atualiza sozinho o que ficou velho, como uma viagem que já aconteceu.
Memória automática de conversa, liberada para todos os planos em março de 2026, somada aos Projetos, onde você deixa material fixo que ele consulta sempre.
Memória própria, mais a possibilidade de importar contexto pessoal estruturado, e a integração com o que já existe na sua conta Google.
Um detalhe que quase ninguém avisa: a memória é de cada uma. O que você ensinou ao ChatGPT não atravessa para o Claude. Por isso vale escolher onde você vai morar.
O que fazer com isso
A memória não se enche sozinha do jeito certo. Você pode simplesmente mandar gravar, com todas as letras, e ela passa a valer para todas as próximas conversas.
O que é estável: quem você é, o que vende, para quem, seus limites, seu tom, o que ela nunca deve sugerir.
O que é de hoje: o problema desta semana, o número deste mês, a decisão desta reunião.
A mesma pessoa, dois pedidos
Resultado: um texto genérico, que serviria para qualquer empresa. Você lê, não se reconhece e desiste.
Resultado: opções que só fazem sentido para o seu negócio, porque só você tinha essas informações.
O detalhe que quase ninguém percebe
Ela leu praticamente tudo o que a humanidade publicou. Não leu nada sobre o seu cliente que reclamou na terça, sobre a margem que você não pode furar, sobre o sócio que precisa ser convencido.
Esse é justamente o seu ativo. O contexto é seu, o julgamento é seu, e é isso que transforma uma resposta comum numa resposta útil.
Bloco 4 · a pergunta que quase ninguém faz
Essa parte quase nunca entra nas palestras de IA. E é a que mais importa para quem tem um negócio nas costas.
O que continua sendo seu
Ela te dá cinco caminhos ótimos. Qual deles é o certo para a empresa que você quer ter daqui a cinco anos, só você sabe. Ela não tem projeto de vida.
Ela produz o que é mais provável, e o mais provável é o mediano. Reconhecer o que é bom, e recusar o resto, é trabalho humano.
Ela erra com a mesma confiança com que acerta. Se sair errado, quem responde ao cliente, ao sócio e ao juiz é você. Isso não é delegável.
Ela escreve a mensagem. Ela não tem histórico com aquela pessoa, não vai olhar no olho e não constrói confiança. Isso ainda é o seu ativo mais escasso.
Um teste simples
Se a resposta for "ninguém, é rascunho", solte a rédea e use à vontade. Se a resposta for "eu, na frente de um cliente, de um sócio ou de um órgão", então a IA fez o rascunho e o trabalho de verdade começa agora, que é você conferir.
Quem inverte essa ordem se machuca. E eu já vi isso acontecer com gente muito capaz.
O que eu queria que vocês levassem
Combinei no começo que a gente sairia daqui com perguntas melhores. Estas são as minhas.
Recapitulando
A IA deixou de responder e passou a fazer. Um agente é ela com ferramentas, contexto, memória e um loop até chegar no objetivo.
Não existe bala de prata. Cada laboratório é bom em alguma coisa, e o mapa muda a cada poucos meses.
O erro caro não é escolher a IA errada. É caçar o prompt mágico em vez de cuidar do contexto.
Entregue o problema, não a tarefa. Quem entrega tarefa recebe só a tarefa de volta.
Todas as principais já têm memória. Ensine uma vez o que é estável e pare de se reapresentar toda conversa.
E o que continua sendo seu: decidir o que importa, ter gosto, responder pelo erro e sustentar a relação.
Perguntas e respostas
Obrigado
Escolha um problema real seu, ainda hoje, e convide a IA para dentro dele. É assim que se aprende.